E o Biden, hein?

Como diria Zózimo: e o Biden, hein? Quem diria que faria uma política econômica de esquerda (no melhor sentido do termo), com um pacote para atravessar a pandemia maior que o PIB brasileiro de um ano inteiro?; e mais: virá mais outro pacote trilionário para reconstruir a velha infraestrutura no país, incluindo uma transição para uma economia verde, que dará o tom da futura base tecnológica energética no mundo inteiro (ou seja, o resto do mundo vai ter de migrar para novas fontes energéticas com baixa emissão de dióxido de carbono; e quem não o fizer, estará fora da nova ordem competitiva mundial); e, surpreendentemente (ainda bem), vai mexer na estrutura de tributação, fazendo ricos pagarem impostos e reestimular a organização sindical. Se não for atropelado pelo conservadorismo do Congresso (democratas e republicanos empatados no Senado, ainda que tenha a Kamala Harris para dar o voto de desempate em favor das propostas de Biden), parece que algum ensaio de social-democracia pode vir por aí. Ou, se não isso, pelo menos reverter a brutal desigualdade de renda erigida nos Estados Unidos, desde a era Reagan.
Como disse Krugman aos monetaristas e novos clássicos americanos: literalmente, vocês perderam essa batalha e vencemos nós, os keynesianos!