Kaldor e o desenvolvimento econômico

Reli todos os principais desenvolvimentistas clássicos (Lewis, Rosenstein-Rodan, Nurkse e Hirschman), mas Kaldor é o mais completo deles. Aliás, a rigor, ele nem costuma ser enquadrado nesse grupo, elogiado por Krugman como tendo elaborado "high development theory" entre os anos 1940 e 1960. Mas, depois de abandonar sua formulação teórica com base em modelos de crescimento (ainda assim, bem menos descartáveis que os modelos neoclássicos -, inclusive Romer -, que ficaram locked-in no conceito de função de produção agregada) em prol do approach desenvolvimentista dos retornos crescentes estáticos e dinâmicos de escala, Kaldor formulou uma teoria quase completa de desenvolvimento econômico. Igualou-se a Smith, Marx e Schumpeter! Os dois artigos que ilustram esse post são geniais (ver as fotos também em minha página de meu Facebook), um must para quem quer entender como se processa o desenvolvimento econômico. Ah, mas Kaldor continuaria atual, por conta do papel dos segmentos high tech do setor de serviços (tecnologia da informação e comunicação, inteligência artificial, internet das coisas, big data etc)? Claro que sim, desde que vislumbremos essa plêiade de inovações como um ecossistema (termo perfeito de Mario Cimoli) de tecnologias que se integrará (e não apenas interará) com todos os setores da economia. Noutras palavras, tais serviços ficarão ainda mais imbricados nos produtos agrícolas, serviços propriamente ditos e, sobretudo, industriais. Em suma, Kaldor está vivíssimo e a indústria de transformação continuará sendo aquela!