Resumo

O artigo apresenta evidências empíricas acerca dos impactos da liberalização comercial sobre a evolução da eficiência técnica da indústria de transformação brasileira. Aplica-se uma metodologia de estimação da variação da produtividade do trabalho e dos custos médios reais de produção na indústria de transformação nos períodos 1988-1994 e 1994-1998, tomando-se como base um modelo de regressão por microdados de plantas produtivas (panel data). A metodologia proposta originalmente por James Tybout e Daniel Westbrook (1995) foi modificada para permitir apresentar respostas mais consistentes para uma indagação que sustentou um intenso debate acadêmico no Brasil ao longo da década de 1990: Qual o principal fator responsável pelos ganhos de produtividade da indústria brasileira após a liberalização comercial: i) corte expressivo de mão-de-obra por parte das empresas (efeito-emprego); ii) preservação de plantas eficientes que tenha permitido o aumento de maior participação de empresas sobreviventes no mercado (efeito market- share); ou iii) incorporação de novas técnicas produtivas, externalidades econômicas positivas, maior possibilidade de acesso à importação de máquinas e equipamentos, dentre outros fatores não observados pelo pesquisador (efeitos residuais)? Este artigo mostra que, na experiência brasileira recente, embora os fatores associados ao item (iii) tenham sido importantes, ainda assim o corte de mão-de-obra atuou como a principal fonte dos ganhos de eficiência técnica na indústria de transformação na década de 1990.

Autor

André Nassif




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